18 de mar de 2010

DOMÍNIO PRÓPRIO

Domínio próprio também pode ser entendido como força de vontade. “Vontade” é uma expressão que pode ter diversos significados, sendo que os mais usados parecem ser: (1) Desejo, anseio, aspiração. Ex.: “Estou com vontade de comer um pedaço de bolo”; e (2) Capacidade de escolha, de decisão. Ex.: “O apóstolo Paulo tinha uma vontade de ferro” (o que indica que possuía firmeza e energia nas decisões). Aqui empregamos o termo “vontade” com o sentido de capacidade de decisão e não como desejo. “A vontade não é gosto nem a inclinação, mas o poder que decide”.Assim, alguém pode passar diante de uma confeitaria e, vendo os doces expostos na vitrina, ter o desejo de comê-los e, contudo, embora tenha tempo e dinheiro, por alguma razão sua vontade diz “não”, e ele segue seu caminho, sem saboreá-los. Uma pessoa pode ter uma infinidade de desejos, mas a vontade é apenas uma. A vontade pode combater os desejos ou aliar-se a eles. Ela está acima das emoções e da razão, e é responsável pelas decisões e pelos caminhos do indivíduo. “A vontade é o poder que governa a natureza do homem, pondo todas as outras faculdades sob sua direção.” As faculdades mentais e as paixões devem ser controladas pela vontade.A razão pode analisar com clareza tudo que está envolvido e apontar o rumo correto, mas é a vontade que detém o comando. Pode concordar com a razão e decidir em harmonia com ela; pode render-se á emoção; pode ir contra uma e outra. É como uma máquina interna que toma decisões. A vontade é livre para escolher e se constitui na grande capacidade que torna o homem senhor de si mesmo, de seus atos, e, por isso mesmo, ele é simultaneamente livre e responsável. A vontade é a própria essência da personalidade. É a fonte de todas as ações. Uma pessoa pode ter uma vontade saudável ou uma vontade enferma. Os de vontade enferma podem ser classificados em três grupos: (1) Os impulsivos. São os que não gastam tempo para pensar. São incapazes de resistir a certos impulsos ou instintos. São impetuosos, rápidos demais em decidir e agir. (2) Os indecisos. Ao contrário dos anteriores, estes pensam demais. Em sua mente, os prós e os contras assumem grandes proporções e eles não sabem o que decidir. A razão realiza bem o seu papel, mas a vontade não assume o comando. (3) Os inconstantes. São os que raciocinam e decidem corretamente, mas não são capazes de executar o que decidiram. Deixam-se dominar pelos acontecimentos, em vez de dominá-los. Têm medo de agir. Na Bíblia encontramos exemplos de indivíduos que, pelo menos em certos momentos da vida, manifestaram uma vontade doentia e as narrativas bíblicas contêm exemplos de pessoas que exerceram grande domínio próprio – mesmo com risco de grave perigo ou da perda da própria vida – e também de indivíduos que falharam em exercer o auto-controle. José - possuía controle pessoal. Em certo período de sua vida, ele foi tentado todos os dias pela senhora Potifar. Segundo todas as aparências, haveria vantagens em ceder e sérios riscos em dizer “não”. Além disso, ele nem tinha uma família por perto nem uma igreja para apoiá-lo. Estava sozinho. Contudo, ele possuía uma clara compreensão de quem era Deus e do que era pecado. Ele decidiu recusar e recusou. Disse e fez. Disse “não” e fugiu. Ele não entregou o controle de sua vida a outra pessoa. Mas o resultado imediato não foi bom. Foi caluniado e lançado na prisão. Todavia, Deus usou essas mesmas coisas para o seu bem e, alguns anos depois, ele saiu do cárcere para ocupar o posto de governador o Egito, a maior potência daqueles dias. Com isso, aprendemos também a avaliar os resultados de nossas escolhas a longo prazo (Gn 39:7 a 41:44). Sansão - foi um homem forte em força física e fraco em força de vontade. Tinha tudo para dar certo. Foi escolhido por Deus para um trabalho especial mesmo antes de nascer. Seus pais eram tementes a Deus e fizeram o que de melhor poderia ser feito para educá-lo nos caminhos de Deus e prepará-lo para sua missão. Foi abençoado por Deus e frequentemente o Espírito do Senhor Se apoderava dele e lhe concedia extraordinária força física. Mas ele não possuía domínio próprio, especialmente no que se referia ao sexo. Contrariamente à vontade de Deus, casou-se com uma filistéia; depois esteve com uma prostituta; e, mais tarde, juntou-se a outra filistéia: Dalila. No relacionamento com esta, parecia estar enfeitiçado. Não conseguia perceber que as palavras e ações dela claramente atentavam contra a vida dele. Dizem que quem não se governa acaba sendo governado por outros. Assim foi com Sansão. Nas semanas finais de sua existência, foi dominado por seus inimigos, os filisteus. Felizmente, em seu último dia de vida, ele teve um lampejo de lucidez. Percebeu seu erro e decidiu cumprir sua missão, mesmo que perdesse sua vida. Decidiu retirar o controle de sua vida das mãos dos filisteus e assumi-lo. Pediu a Deus que o usasse mais uma vez, só mais uma vez. E Deus o ouviu. (Jz 13-16). É por isso que seu nome pode constar na galeria dos heróis da fé, em Hb 11. Daniel - é um brilhante exemplo de temperança e domínio próprio. Observe o relato bíblico: “Resolveu, Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se.” (Dn 1:8). Daniel não era um jovem de vontade doentia. Não era impulsivo, nem indeciso, nem inconstante. Possuía grande força de vontade. Sabia dizer “não” ao mal, coisa que alguns têm dificuldade em fazer. Durante sua vida ele teve de dizer “não” muitas vezes, inclusive para os homens mais poderosos do mundo. Ele disse “não” ao chefe dos eunucos e ao cozinheiro-chefe quando estes lhe disseram para comer da comida real (Dn 1:8-16). Ele disse “não” ao chefe da guarda, quando este foi encarregado pelo rei de matar os conselheiros, por não conseguirem revelar o sonho e sua interpretação (Dn 2:12-16). Quando Nabucodonozor imaginou que o reino da Babilônia seria eterno, Daniel lhe disse “não”; outros reinos lhe sucederiam e o reino de Deus é que seria eterno (Dn 2:37-44). Quando Belsazar ofereceu a Daniel posições e riquezas para que este interpretasse a escrita na parede, Daniel disse “não”. A interpretação seria gratuita (Dn 5:16-17). Quando Dario promulgou um decreto que proibia se fizesse petição a qualquer homem ou deus, que não fosse o rei, Daniel disse “não”, e foi orar ao Deus Eterno como sempre o fizera (Dn 6:6-10). Qual era o segredo de Daniel? Ele recebera de Deus o dom do domínio próprio e se apoderara dele. De fato, quando um homem aprende a dominar-se, faz-se capaz de dominar o mundo exterior. Antes disso, nunca. Quando uma pessoa aprende a dizer “não” a si mesma, saberá e terá força moral para dizer “não” a outros, quando necessário.

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