14 de fev de 2011

REMANESCENTE

Clifford Goldstein, editor das Lições da Escola Sabatina desde 1999 e autor de 18 diferentes livros, disse que se houvesse um desses livros que ele especialmente recomendasse a leitura, seria "O Remanescente - Realidade Bíblica ou Desejo Imaginário?". Acabo de ler esta obra e percebo bem o porquê.../// À sua boa maneira, Clifford Goldstein não é propriamente um autor de escrita convencional (nem o seu discurso o é como palestrante). Alguns talvez lhe chamariam de irreverente e inoportuno; para mim, reconheço-lhe uma perspicácia audaz, uma clareza desconcertante e um compromisso apenas com o que é a verdade, sem demasiada preocupação com efeitos colaterais. E é tudo isso e muito mais que ele transporta para esta brilhante obra./// Reconfirmei a minha certeza de que há muito não estamos em tempos de palavrinhas mansas que se acomodam confortavelmente no nosso raciocínio, mas que não apelam para a urgência dos tempos (e este livro já foi escrito em 1994). Goldstein, com um sentido positivamente crítico altamente apurado, avalia criteriosamente o estado na nossa Igreja sob a perspetiva única que temos ao nos anunciarmos como o último remanescente da História da Terra. Para tal, ele analisa o conceito de remanescente de Deus desde a sua origem, bem lá remotamente no tempo, cerca de 16 séculos depois da Criação, até aos tempos atuais, em que um povo errante, cheio de falhas e vidas poluídas pelo pecado, muitas vezes horrível, se ergue com essa mesma pretensão. Pelo meio, percorre a história bíblica, em particular a do(s) povo(s) escolhidos(s), traçando uma linha constante e regular que permite perceber que, afinal, o tempo passa e nada muda do que ao comportamento humano diz respeito, incluindo o do povo de Deus. Contudo, ainda que o erro humano seja um fator comum a qualquer era da História, um outro fator mais elevado também é provado e assumido como indiscutível: Deus tem sempre um remanescente! Nunca as desgraçadas falhas do homem (que tantas vezes foram piores entre o povo de Deus no que entre aqueles que não o eram...) anularam este propósito divino! Mas, e esta noção será, porventura, um dos pontos altos do livro, a riqueza do nosso movimento profético, da nossa Igreja, não é a igreja em si, mas sim a mensagem (ou verdade presente) final de Deus a este mundo que carregamos e temos obrigação de pregar. Goldstein deixa bem claro que, conforme o ensinamento bíblico e a posição historico-doutrinária desta Igreja, não há melhor alternativa (nem sequer existe outra...); ora, isto não faz de nós melhores do que os não Adventistas - aliás, o autor explana de forma a percebermos que se os Adventistas não são iguais aos outros, é porque são piores... - mas sim diferentes, com um propósito específico, uma mensagem e missão distintas! Por isso é que sabemos que entre as outras religiões se encontram milhares e milhares que tomarão posição nesta igreja - não porque os seus membros são perfeitos e justos, mas pela mensagem, pela verdade que partilhamos! E para demonstrar isso mesmo, ele não hesita em dizer que, quando se levantarem as perseguições finais a este povo escolhido, muitos serão lançados nas prisões não tanto pela fé, mas porque há muito lá deveriam estar... Contudo, é mais do que certo que esta Igreja permanecerá até ao fim; o que resta saber, é quem fará parte dela. Porque muitos dos atuais membros sairão; mas ainda um número maior do que esse, se juntará a ela. E esta urgência apenas remete para a decisão individual, sem esperar que a igreja se mexa coletivamente - até porque, isso nunca sucederá...

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