16 de jul de 2011

A INIMIZADE CONTRA DEUS

“Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus.” Romanos 8:7-“Já que a mente posta na carne é inimiga de Deus.” A mente carnal está em todo momento inimizada com Deus. “Oh,” alguém dirá, “pode ser verdade que às vezes nos opomos a Deus", mas certamente nem sempre nos opomos. “Há momentos,” dirá alguém, “quando sinto que me rebelo, algumas vezes minhas paixões me conduzem a desviar-me; mas certamente há outras ocasiões favoráveis quando realmente sou amigável com Deus, e lhe ofereço verdadeira devoção. Sim, mas preste atenção, o que é verdade hoje, não é falso amanhã; “a inclinação da carne é inimizade contra Deus” todo o tempo. O lobo poderá estar adormecido, mas continua sendo lobo. A serpente, com seus tons camaleônicos, pode dormitar no meio das flores, e a criança pode acariciar seu dorso liso, mas continua sendo uma serpente; não muda sua natureza ainda que esteja adormecida. O mar é o albergue das tormentas, ainda que esteja plácido como um lago; o trovão continua sendo o trovão que retumba poderosamente, ainda que se encontre tão longe que não possamos escutá-lo. E o coração, ainda que não percebamos suas ebulições, ainda que não vomite sua lava, e não jogue as ferventes rochas de sua corrupção, continua sendo o mesmo temível vulcão. Em todo momento, a todas horas, a cada instante (digo isto segundo o que Deus diz), se vocês são carnais, cada um de vocês é inimizado contra Deus. Todos os desígnios da carne são inimizade contra Deus. O texto diz: “A inclinação da carne é inimizade contra Deus”; isto é, todo o homem, cada parte dele: cada poder, cada paixão. “Que parte do homem foi afetada pela queda?” pensamos que a queda somente foi sentida pelos sentimentos, mas que o intelecto permaneceu incólume; alguns argumentam isto sustentados na sabedoria do homem, e os impressionantes descobrimentos que foram feitos, tais como a lei da gravidade, a máquina a vapor e as ciências. Agora, eu considero estas coisas como uma exposição insignificante de sabedoria, quando as comparamos com o que se descobrirá dentro de cem anos, e diminutas quando comparadas com que o que se poderia descobrir caso o intelecto humano houvesse permanecido em sua condição original. Eu creio que a queda esmagou o homem completamente. Ainda que quando passou como uma avalanche sobre o poderoso templo da natureza humana, alguns elementos permaneceram intactos, e em meio às ruínas se pode encontrar por aqui e por ali, uma flauta, um pedestal, uma coroa, uma coluna, que não estão completamente quebrados, a estrutura inteira caiu, e suas relíquias mais gloriosas são coisas caídas, fundidas no pó. O homem completo está estropiado. Olhem nossa memória; acaso não é verdade que a memória participa da queda? Eu posso recordar muito mais as coisas más que as coisas que tem cheiro de piedade. Se eu escuto uma canção lasciva, essa música infernal ficará em meus ouvidos até que eu fique grisalho. Mas se escuto uma nota de santo louvor: ai!,. me esqueço! Por que a memória aperta com mão de ferro as coisas más, mas sustém com dedos frágeis as coisas boas!Deve haver uma mudança, se pensamos no estado futuro, pois, como poderiam os inimigos de Deus sentar-se no banquete das bodas do Cordeiro? Esta mudança deve ser feita por um poder superior ao nosso. Um inimigo pode possivelmente converter-se em amigo; mas não a inimizade. Se ser um inimigo fosse uma adição à sua natureza, ele poderia tornar-se um amigo; mas se é a essência mesma de sua existência ser inimizade, positiva inimizade, a inimizade não se pode mudar a si mesma. Não,devemos fazer algo mais do que podemos alcançar. Isto é precisamente o que se esquece nestes dias. Necessitamos a unção do Espírito Santo, se queremos ter mais obra de conversão. Se vocês operarmos a mudança em nós mesmos, e nos tornarmos melhores, e melhores, e melhores, mil vezes melhores, nunca seremos o suficientemente bons para o céu. Enquanto o Espírito de Deus não haja posto Sua mão em nós; enquanto não haja regenerado o coração, enquanto não haja purificado a alma, enquanto não haja mudado o ser inteiro e não haja feito de nós uma nova criatura, não poderemos entrar no céu.(Spurgeon)

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